Os aspersores ("sprinklers") são dispositivos rotativos formados por um tubo simples ou duplo, com um ou mais orifícios calibrados, cujo movimento rotativo é assegurado por um braço que se desloca devido à pressão da água; o jacto de água tem um movimento rotativo que é conferido ao aspersor através do braço voltando depois à posição inicial pela acção de uma mola.
Estes dispositivos podem ser utilizados directamente, a pressões de 1.5 a 4 bars, ou constituírem um dos elementos de um equipamento de rega de grande capacidade; o seu alcance não excede normalmente os 25 m.
A designação de canhão atribui-se a uma lança de grande dimensão que roda lentamente em torno de um eixo vertical e que pode distribuir até cerca de 130 m3/h de água, a uma pressão de 3-6 bars e a uma distância de ± 50 m, o que corresponde a uma área superior a 1 ha.
A deslocação sucessiva de um canhão é uma operação morosa pelo que se pode optar pela instalação de uma rede com vários elementos, dispostos em quadrado, ligados entre si e funcionando à vez; o accionamento e paragem são comandados pela variação da pressão da água de alimentação que provoca impulsos que são detectados por um dispositivo eléctrico que permite estabelecer o programa das regas e sua duração, ou, então, detectados por um dispositivo hidráulico de contagem, que acciona a abertura ou fecho das válvulas de alimentação do canhão.
A automatização neste sistema de rega permite estabelecer a duração da rega, assim como fraccionar os seus débitos; assim, por exemplo, pode-se efectuar uma rega de 20 mm de 6 em 6 dias ou uma rega de 10 mm de 3 em 3 dias, ou mesmo estabelecer diferentes débitos para diferentes conjuntos de canhões.
Os canhões móveis de avanço contínuo são equipamentos montados num suporte com rodas ou patins, que se deslocam em linha recta e cuja superfície circular regada corresponde a um sector de ± 2400.
Relativamente à quantidade de água distribuída esta depende fundamentalmente do débito do canhão, do alcance do jacto e velocidade de avanço e permite, relativamente aos canhões fixos, uma maior regularidade na repartição da água e uma diminuição da erosão resultante dos sucessivos impactos das gotas na mesma área.
Considerando a mobilidade do suporte do canhão e da bobine de enrolamento da mangueira (ou cabo) tem-se:
- Canhão de rega móvel e quadro com o sistema de enrolamento fixa;
- Canhão de rega montado num quadro móvel rebocado;
- Canhão de rega móvel montado num quadro automotor.
Neste tipo de equipamento, relativamente pequeno e ligeiro, o canhão encontra-se montado num suporte com rodas ou patins.
Nestes casos o canhão de rega é montado num quadro móvel rebocado, onde se encontra o sistema de enrolamento, podendo a tracção ser efectuada:
- por cabo;
- pela própria mangueira.
Relativamente ao primeiro o canhão é montado num quadro móvel que tem um guincho de tracção accionado hidraulicamente e um tambor para enrolamento da mangueira. Para se iniciar a rega é necessário desenrolar o cabo, fixando-se a sua extremidade, e desenrolar a mangueira, cujo comprimento deve ser metade da do cabo, ligando-se à fonte de água que se encontra a metade do percurso.
Quando o quadro, puxado pelo guincho, avança, a mangueira, devido ao atrito com o solo tem tendência a arrastar à sua frente um dado volume de terra; assim, para evitar esta situação utiliza-se geralmente um outro quadro, rebocado, através da mangueira, pelo anterior que tem uma polie que altera a direcção daquela.
Considerando a tracção pela própria mangueira os canhões são montados sobre um quadro pernalta que tem uma bobine de enrolamento da canalização accionada por um motor hidráulico e um sistema de polies para guiar o avanço da mangueira antes desta se enrolar. Para se iniciar a rega desenrola-se completamente a mangueira, ligando-se a sua extremidade à boca de água, procedendo-se depois o seu enrolamento por tracção da mangueira, passando esta pelo sistema guia; a mangueira nesta situação é sujeita a uma grande tensão não havendo, no entanto, qualquer atrito com o solo.
Este sistema pode apresentar uma mangueira até 600 m de comprimento e ter dois canhões, distanciados de 20 m, montados numa barra transversal articulável.
Este equipamento (canhão auto motriz) é constituído por um quadro auto motriz, onde está montado um motor hidráulico para accionamento das rodas e da bobine de enrolamento da mangueira, e por um sistema de direcção, por êmbolo hidráulico, para guia da mangueira.
Relativamente à distribuição de água o canhão tem uma rotação de ± 2400, podendo o quadro em que está montado ser deslocado de ±400 m; o tempo necessário para percorrer aquele ângulo varia de 1 a 1.5 mn.
Depois de desenrolada a mangueira, cuja extremidade se liga à fonte de água, o quadro (canhão) movimenta-se, em direcção à fonte de água, devido ao accionamento das rodas por um êmbolo ou um motor hidráulico, o que permite o enrolamento da mangueira na bobine que tem movimento de rotação; não se verifica assim qualquer atrito da mangueira com o solo não havendo também tracção pela mangueira. O êmbolo consome, conforme a potência a desenvolver e a dose a
aplicar, cerca de 1.5 a 4 % do débito e o motor não consome água mas utiliza parte da pressão do circuito, cerca de 0.5 a 1 bar. Os êmbolos são indicados para as situações em que a pressão disponível é limitada, exemplo das redes colectivas, e os motores para os equipamentos maiores e em que a água tem maior pressão.
No que respeita à largura de trabalho esta corresponde a cerca de 80% da distância de projecção máxima (± 50 m), para que haja uma sobreposição que permita uma regularidade da distribuição transversal.
Os canhões auto motrizes podem ser completamente autónomos, desde que se lhes aplique um motor de combustão interna, ou permitirem a inversão do funcionamento da bobine, desenroladores a mangueira, ou mesmo o funcionamento nos dois sentidos, o que possibilita o enrolamento até junto da fonte de água e depois o seu desenrolar a partir desta, cobrindo assim o dobro da área .